Por que contratar um advogado antes de assinar o contrato de compra e venda do imóvel

A assinatura é o ponto sem volta. A hora de proteger o negócio é antes dela — e a assessoria custa uma fração do prejuízo que evita.

A compra de um imóvel costuma ser a maior decisão financeira da vida de uma família. Ainda assim, é comum que o contrato — o documento que define direitos, prazos, garantias e penalidades — seja assinado no impulso do fechamento, muitas vezes em um modelo pronto entregue pela outra parte. O problema é que, uma vez assinado, o contrato passa a valer contra quem o firmou. Corrigir depois é caro, lento e nem sempre possível.

O contrato define tudo, inclusive o que dá errado

O contrato de compra e venda, ou a promessa de compra e venda, não é uma mera formalidade. É ele que estabelece o que acontece se o vendedor atrasar a entrega, se surgir uma dívida sobre o imóvel, se o financiamento não for aprovado ou se uma das partes desistir. Um instrumento desequilibrado pode, por exemplo, prever a perda integral do sinal em caso de desistência do comprador, sem penalidade equivalente ao vendedor. As arras, tratadas nos artigos 417 a 420 do Código Civil, precisam ser redigidas com cuidado justamente para equilibrar essas consequências.

O que o advogado verifica antes da assinatura

Antes de recomendar a assinatura, o advogado conduz uma verificação que o comprador, sozinho, dificilmente faria. Analisa a matrícula atualizada do imóvel para confirmar quem é o real proprietário e se existem hipotecas, penhoras ou indisponibilidades. Levanta certidões pessoais do vendedor — ações judiciais, protestos, débitos fiscais e trabalhistas — para afastar o risco de fraude contra credores ou fraude à execução, situações em que o comprador pode perder o imóvel mesmo tendo pago por ele. Confere a regularidade do bem junto à prefeitura e ao condomínio e assegura que o direito do promitente comprador seja registrado, na forma dos artigos 1.417 e 1.418 do Código Civil, o que garante a chamada eficácia real do contrato.

Cláusulas que protegem quem compra

Além de verificar, o advogado redige ou ajusta o contrato para proteger seu cliente. Isso inclui condicionar o negócio à aprovação do financiamento, prever prazos com penalidades por atraso, definir com clareza o que ocorre em caso de desistência e disciplinar a entrega das chaves e a quitação. Quando o negócio precisa ser desfeito, a Lei nº 13.786/2018 regula o distrato e os valores a serem retidos, e um contrato bem escrito evita que essa discussão termine no Judiciário.

Um custo pequeno diante do risco

Existe uma resistência comum: a ideia de que contratar advogado encarece a compra. Na prática, os honorários de uma análise contratual representam uma fração mínima do valor do imóvel e um percentual ainda menor diante do prejuízo de um negócio malfeito. Adquirir um imóvel com dívida oculta, vício de propriedade ou cláusula abusiva pode custar anos de litígio e, no limite, a perda do bem. A assessoria prévia é, antes de tudo, uma forma de economia.

Conclusão

Assinar um contrato de compra e venda sem revisão jurídica é apostar que nada dará errado em um dos negócios mais importantes da vida. A hora certa de procurar um advogado não é depois do problema, mas antes da assinatura, quando ainda é possível negociar, corrigir e proteger.

Nosso escritório analisa contratos de compra e venda de imóveis antes da assinatura, verificando a documentação e ajustando as cláusulas para proteger quem compra. Se você está prestes a fechar negócio, fale com a nossa equipe antes de assinar.

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